Debaixo dos cílios
as baratas buscam fendas
entre
as tábuas da casa
buscam olhos abertos
nas fronhas e na palha.
As baratas
frias no silêncio da sala
batendo nas
cortinas engorduradas
o silêncio que fala
no rastro nocivo das babas.
Elas
debaixo das toalhas
trazidas no vento ora
lento ora violento e pária
que se anuncia num tempero
de alho e taras.
As baratas sem calma
pisam a superfície do mundo
a rigidez vermelha
de suas costas
e
o chão das bocas
onde os esgotos desembocam
auroras de barro.
Febril o desenrolar
dessas vidas
nos canteiros do estômago
nas calçadas por onde
passamos nos quintais
entre as folhas secas
e o tutano.
Lascivo o passar
cotidiano
das baratas no balcão
dos açougues
nas geladeiras entre
verduras e sopas.
Passar
como elas passam
por cima dos pratos
de louça.
Passar assim
roendo a umidade da terra
por baixo de galhos e pernas.
Esta é a vida
das baratas: percorrer com pressa
o câncer do abdômen
as rugas da testa.
Assim
elas se encontram no
ar que entra pelas janelas
e que respiramos sujo
e mofo
cheiro de favelas com
defuntos sem rosto.
Assim
as encontramos dentro
dos chinelos
depois de um dia de trabalho
nos bolsos do pijama
dentro dos espelhos.
Inútil
esperar que partam
ou assassiná-las
com berros vassouras
martelos de pano.
No escuro do sal
no véu
do maradentro
tudo é barco
e tíbias mãos
se movimentam.
No céu escuro
do mar
no engulho
do que se rende
tudo é soluço
sepulcro
sol ausente.
Eu gosto do mar
quando
o mar é peixe crescendo
dentro da solidão azul
que não se vê nas praias
não se vê
nas espumas precárias
que mentem do mar seu
escuro corpo de serpente.
Eu gosto do mar
quando
é barco sujo de pescador
que não ama do mar apenas
seus frutos verdes ama
mais seu perfil de sal
seu grito de mar gente.
Eu gosto do mar com
seus ventos que trazem
pra dentro dos bolsos
brancas nuvens de mudança.
Eu amo eu amo o mar
mudando sempre e sempre
a timidez das tardes
tão iguais.
literária.
Flor de memória cósmica
venerada pelo rei da França
efêmera como um reinado
histórica.
Quem a vê morrer
pensa logo em extensos desastres
navios à deriva
suicidas urbanos
incêndios à beira de estradas
guilhotinas papeis em branco
a palavra nada.
Mas a Hortênsia tem eternidade
permanece esplêndida em seus azuis.
Encenada na linguagem
instável em meu desejo
flor-monumento
íntima
literária.
Flor de memória cósmica
venerada pelo rei da França
efêmera como um reinado
histórica.
Quem a vê morrer
pensa logo em extensos desastres
navios à deriva
suicidas urbanos
incêndios à beira de estradas
guilhotinas papeis em branco
a palavra nada.
Mas a Hortênsia tem eternidade
permanece esplêndida em seus azuis.
Encenada na linguagem
instável em meu desejo
flor-monumento
íntima
literária.
Flor de memória cósmica
venerada pelo rei da França
efêmera como um reinado
histórica.
Quem a vê morrer
pensa logo em extensos desastres
navios à deriva
suicidas urbanos
incêndios à beira de estradas
guilhotinas papeis em branco
a palavra nada.
Mas a Hortênsia tem eternidade
permanece esplêndida em seus azuis.
Encenada na linguagem
instável em meu desejo
flor-monumento
íntima
literária.
Flor de memória cósmica
venerada pelo rei da França
efêmera como um reinado
histórica.
Quem a vê morrer
pensa logo em extensos desastres
navios à deriva
suicidas urbanos
incêndios à beira de estradas
guilhotinas papeis em branco
a palavra nada.
Mas a Hortênsia tem eternidade
permanece esplêndida em seus azuis.
Encenada na linguagem
instável em meu desejo
flor-monumento
íntima
literária.